Por uma cultura de convivência nas escolas!

Por Macela Nunes Leal (Mediadora, Advogada, Mestra em Resolução de Conflitos e Mediação e Vice- Presidente do Instituto Imediar) 

Todos os dias eclodem conflitos das mais diversas ordens em todos os lugares. Nas escolas, igualmente, ocorre uma série de conflitos que, se não tratados da maneira adequada, podem se transformar em tragédias como a que aconteceu em Suzano meses atrás.

É importante ter em mente que a escola deve ser palco de interação, de relações pacíficas, de acolhimento. Sendo assim, questiona-se: até que ponto estamos zelando pela educação das nossas crianças e jovens?

São muitas as dúvidas sobre o caminho a ser perseguido pelo pais e educadores, porém, temos uma constatação: necessitamos urgentemente de uma educação voltada à paz, à não violência, à gestão de conflitos.

Afinal, o que é paz?  Durante muito tempo o conceito de paz esteve ligado à ausência de guerra. Na cultura ocidental, por seu turno, o conceito de paz sofreu influência da tradição greco-romana, passando a ter uma conotação mais positiva e mais ampla, conectando-se a outros conceitos como o de justiça, por exemplo.

Atualmente, o conceito de paz passou por uma releitura de forma a contemplar uma dimensão social, humana e cultural. É nesse sentido que defendemos que as instituições educacionais devem contemplar em seu conteúdo o conceito de cultura de paz e de convivência, esta última entendida como cultura de tolerância e respeito às diferenças.

A escola deve ser um espaço de convivência, o que não significa que não haja conflitos, ao contrário, trata-se de espaço de diálogo, de respeito e de manejo dos conflitos. 

Uma das ferramentas no manejo de conflitos é a mediação. Através de programas de mediação escolar, os estudantes resolvem seus conflitos de forma rápida e satisfativa, através da aplicação de técnicas como a escuta ativa e o rapport.

Tão importante quanto os conteúdos curriculares é o desenvolvimento das relações interpessoais. Nesse sentido, entendemos que crianças e jovens devem ser estimulados a participarem de atividades coletivas, grupais, sempre tendo em vista o compartilhamento de experiências, trocas. 

Através de atividades dessa natureza os alunos têm a oportunidade de lidarem com conflitos, aprendendo a resolvê-los de forma construtiva, através de uma comunicação assertiva.

Deve-se ressaltar que tais práticas cooperativas devem se estender para além dos muros da escola, albergando outros atores da comunidade escolar. Somente nesse propósito é que construiremos uma sociedade mais pacífica, harmônica e empática.

Tragédias como as de Suzano nos mostram o quanto somos negligentes com as nossas crianças e jovens ao relegarmos a prevenção contra a violência nas escolas. 

Precisamos desenvolver hábitos e valores que fortaleçam vínculos de solidariedade, de tolerância, de respeito. Trata-se de um exercício diário de conscientização e de promoção de uma cultura de paz e de convivência.